A 1.160 metros de altitude, a Cidade das Rosas exporta flores para Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Holanda e Portugal e concentra 80% das flores comercializadas em Minas Gerais

Como Barbacena se Tornou a Cidade das Rosas

O impulso para a transformação de Barbacena na reconhecida Cidade das Rosas começou em meados de 1950, quando imigrantes da Alemanha e da Itália, que buscavam novas oportunidades após a devastação da Segunda Guerra Mundial, se estabeleceram na região. Esses imigrantes trouxeram consigo técnicas agrícolas inovadoras, adaptadas com sucesso ao solo e ao clima da Serra da Mantiqueira.

A história da floricultura em Barbacena é marcada por pioneiros, como a família Loschi, que experimentou cruzar espécies nativas da região com variedades importadas de São Paulo. O sucesso desses cultivos atraiu mais produtores para o setor, contribuindo para o crescimento exponencial da cidade como centro de produção de rosas.

No ano de 1967, foi criada a Uniflor, uma cooperativa que ajudou a consolidar ainda mais a identidade floricultora de Barbacena. Naquela época, o número de produtores ativos chegou a 97, e nas primeiras décadas, a cooperativa exportou mais de 52 milhões de botões de rosas, criando milhares de empregos e fortalecendo a economia local.

Cidade das Rosas

Benefícios da Altitude e do Clima no Cultivo de Flores

Barbacena se destaca por suas condições climáticas ideais para o cultivo de rosas. Situada a 1.160 metros acima do nível do mar, a cidade oferece um clima frio e arejado, que contribui para o desenvolvimento saudável das plantas. As rosas, por sua natureza, prosperam em altitudes superiores a 700 metros, onde a luz solar é abundante e a temperatura moderada é mantida durante o ano.

As condições climáticas de Barbacena promovem um inverno seco que resalta a coloração vibrante dos botões de rosa, o que é muito valorizado nos mercados internacionais. A temperatura média anual na cidade gira em torno de 17°C, sendo essa uma faixa ideal para a floricultura.

Estudos da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA) indicam que Barbacena é a fonte principal das flores do estado de Minas Gerais, contribuindo para o abastecimento dos maiores mercados urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

O Impacto Econômico da Floricultura em Minas Gerais

A floricultura é uma das principais atividades econômicas de Barbacena, ajudando a sustentar a economia local e regional. Com um arranjo produtivo que envolve cerca de 80 produtores e abrange 14 cidades vizinhas, a produção anual é estimada em impressionantes 80 milhões de hastes de flores. Este volume significativo não apenas atende a demanda local, mas também possibilita exportações para países como Estados Unidos, Alemanha, Argentina, Holanda e Portugal.

Os benefícios econômicos incluem a geração de empregos e a valorização das propriedades rurais que se dedicam ao cultivo de flores. A presença de empresas como a Uniflor, que se consolidou ao longo das décadas, representa um marco significativo para a economia local, contribuindo para a identidade de Barbacena como um polo de floricultura no Brasil.

Festival Anual: A Festa das Rosas e Flores

Outra faceta importante que fortalece a identidade de Barbacena é a Festa das Rosas e Flores, um evento tradicional que ocorre anualmente em outubro. Desde sua primeira edição em 1968, a festa não só celebra a floricultura da cidade, como também atrai turistas de todo o Brasil e do exterior.

Com um programa diversificado que abrange desfiles de carros alegóricos decorados com flores, estandes de produtores locais, feiras de artesanato e o concurso da Rainha das Rosas, a Festa das Rosas já recebeu mais de 100 mil visitantes por dia. Em 2006, a festa foi oficialmente reconhecida como bem imaterial pela Prefeitura de Barbacena, enfatizando sua importância cultural e econômica.

O evento se destaca como uma oportunidade para que os visitantes conheçam a tradição floricultora da cidade, além de promover a união da comunidade e preservar suas raízes culturais.



A Basílica de São José Operário: Um Patrimônio Único

Entre os pontos turísticos de Barbacena, destaca-se a Basílica de São José Operário, que é única no mundo dedicada a este título. Erguida na década de 1950, a basílica está situada em uma elevação da cidade, proporcionando uma vista panorâmica incrível. Essa construção é um importante destino para o turismo religioso em Minas Gerais, além de ser um símbolo da religiosidade da população local.

Todo 1º de maio, a basílica recebe a celebração do Jubileu de São José Operário, um dos eventos religiosos mais significativos da região. Seu projeto arquitetônico em estilo moderno se destaca, apresentando elementos que fazem alusão ao mundo do trabalho, o que também contribui para a sua singularidade.

Rotas Turísticas Imperdíveis na Cidade

A cultura e a história de Barbacena são ricas e podem ser exploradas através de diversas rotas turísticas e atrações que capturam a essência da cidade. Os principais pontos turísticos incluem:

  • Basílica de São José Operário: um ícone religioso com vistas deslumbrantes.
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade: um exemplo da arquitetura barroca do séc. XVIII.
  • Praça dos Andradas: o coração histórico da cidade, com árvores centenárias e edifícios coloniais.
  • Solar dos Andradas: um casarão histórico do séc. XVIII, parte do patrimônio colonial de Barbacena.
  • Casa da Cultura: um antigo prédio que abriga a Biblioteca Pública Municipal e é tombado pelo IEPHA.
  • Centro Ferroviário de Cultura: um espaço cultural que exibe a história ferroviária da cidade e promove eventos artísticos.
  • Parque de Exposições Senador Bias Fortes: sede da Festa das Rosas e da Exposição Agropecuária.
  • Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR): um centro educativo com edificações de estilo neoclássico.

A cidade ainda abriga belos parques e áreas verdes que complementam seu charme, oferecendo um espaço propício para passeios e lazer.

Como Chegar em Barbacena Facilmente

Barbacena é bem conectada através da BR-040, facilitando o acesso de quem vem de Belo Horizonte ou do Rio de Janeiro. A distância de 169 km até a capital mineira pode ser percorrida em aproximadamente 2h30 de carro. Também está a cerca de 300 km do Rio de Janeiro. O aeroporto mais próximo, o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, está a 200 km de distância.

A rodoviária da cidade oferece linhas regulares de transporte urbano e intermunicipal, conectando Barbacena a diversas cidades importantes da região, como Juiz de Fora, São João del-Rei e Ouro Preto.

Melhores Épocas Para Visitar a Cidade das Rosas

Visitar Barbacena é uma experiência que pode ser aproveitada durante todo o ano. No entanto, as melhores épocas para quem deseja apreciar o espetáculo das flores e participar da Festa das Rosas são:

  • Primavera (setembro a novembro): a cidade fica ainda mais colorida, sendo ideal para apreciar o cultivo das flores e eventos relacionados.
  • Outono (março a maio): o clima é ameno, propício para passeios ao ar livre e visitas à Basílica.
  • Inverno (junho a agosto): as temperaturas mais baixas proporcionam um clima aconchegante, perfeito para explorar a cidade com tranquilidade.
  • Verão (dezembro a fevereiro): os dias são quentes, mas com chuvas frequentes, sendo ideal para visitas ao centro histórico e atrações cobertas.

Recomenda-se evitar as épocas de muito calor para passeios em áreas abertas, pois o clima pode ser intenso e úmido.

Curiosidades Sobre a História de Barbacena

Barbacena não é apenas um centro floricultor; sua história está entrelaçada a importantes eventos do Brasil. Durante o ciclo do ouro, a cidade se tornou um ponto estratégico na Estrada Real, que ligava Vila Rica (atual Ouro Preto) ao Rio de Janeiro. Este caminho facilitava o comércio e contribuiu para o crescimento da cidade.

Barbacena é também conhecida como a Cidade do Sal, um apelido que remonta ao século XIX, quando abrigava um dos principais centros comerciais de sal do Brasil. A cidade também é o lar de na nascente de renomados governadores da história brasileira, como Chrispim Bias Fortes e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.



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