Barbacena é a terceira cidade de Minas Gerais que mais gastou com shows artísticos

Os Gastos de Barbacena com Shows Artísticos

De acordo com um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), através do painel de Shows Artísticos Municipais, foi constatado que 831 prefeituras do estado desembolsaram em conjunto a impressionante quantia de R$ 1,5 bilhão na contratação de artistas entre os anos de 2020 e 2025. Vale ressaltar que entre as 853 cidades que compõem Minas Gerais, apenas 22 não apresentaram despesas com esse tipo de evento durante esse período.

O Aumento Progressivo dos Gastos

Os dados também revelam um crescimento notável nos gastos ao longo dos anos. Em 2020, os investimentos totalizaram R$ 13,6 milhões, mas houve uma queda para R$ 6,6 milhões em 2021, devido ao impacto da pandemia. Após esse período crítico, os valores começaram a aumentar de forma acentuada, atingindo cerca de R$ 568,04 milhões em 2025, representando um crescimento impressionante de aproximadamente 4.076% em relação aos valores iniciais registrados.

Barbacena e seu Investimento em Cultura

Entre as cidades que mais investiram em shows artísticos, Barbacena se destacou, ocupando a terceira posição em Minas Gerais, com um investimento de R$ 14,8 milhões. Outras cidades que também se destacaram foram Nova Lima, com R$ 16,02 milhões, e Itabirito, com R$ 15,6 milhões. Nazareno, uma cidade vizinha a Lavras, também entrou no ranking das dez prefeituras que mais gastaram, ao lado de outras como Brumadinho, Extrema, Itatiaiuçu e Curvelo.

Barbacena gastos shows artísticos

Ranking das Cidades com Maior Desembolso

As cinco cidades que mais gastaram com shows em Minas Gerais são:

  • Nova Lima: R$ 16,02 milhões
  • Itabirito: R$ 15,6 milhões
  • Barbacena: R$ 14,8 milhões
  • Conceição do Mato Dentro: R$ 14,7 milhões
  • Ituiutaba: R$ 13,6 milhões

Artistas Mais Bem Remunerados

O painel também indicou quais artistas receberam os maiores volumes de dinheiro público. O gênero sertanejo predominou no mercado, com Eduardo Costa liderando com R$ 27,5 milhões recebidos por suas apresentações em 83 cidades. Outros artistas notáveis incluem:

  • Diego e Victor Hugo: R$ 23,4 milhões em 94 municípios
  • Leonardo: R$ 23 milhões
  • César Menotti e Fabiano: R$ 22,8 milhões em 77 cidades
  • Guilherme Silva: R$ 22,7 milhões com shows em 126 municípios

Além desses, artistas como Fernando e Sorocaba, Gino e Geno, Clayton e Romário, Amado Batista, e Di Paullo e Paulino também figuram entre os mais requisitados.



Reações e Preocupações com os Gastos

O elevado volume de dinheiro destinado aos shows artísticos gerou preocupações nos órgãos de controle e no legislativo. Em uma reunião realizada no final de maio, a Associação Mineira dos Municípios (AMM), na presença do presidente Lucas Vieira, se encontrou com o presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, para discutir a elaboração de uma instrução normativa que estabeleceria regras, obrigações e proibições para a realização desses eventos.

Proposta de Projeto de Lei

Paralelamente, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) está considerando um Projeto de Lei que busca impor limites rígidos a esses contratos. O que está sendo proposto inclui:

  • Teto Geral: Limite de R$ 500 mil por apresentação ou 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) do município, prevalecendo o menor destes valores.
  • O Teto Abrange: Cachê, transporte e alimentação. Custos com hospedagem e produção não estão incluídos, mas também não podem ultrapassar 10% do contrato.
  • Ajustes para IDH: Cidades com IDH elevado (superior a 0,800) terão um aumento de até 10% no teto. Por outro lado, municípios com IDH baixo (inferior a 0,599) poderão ter uma redução de até 30% no limite permitido.
  • Atuação de Artistas Locais: Pelo menos 5% do valor total da atração principal deverá ser destinado à contratação de artistas de Minas Gerais.

Cidades que Não Gastaram com Shows

Curiosamente, ao contrário da tendência observada nas demais cidades, um restrito grupo de apenas 22 municípios conseguiu passar cinco anos sem investir qualquer quantia de dinheiro público em shows artísticos. Entre eles estão grandes cidades como Juiz de Fora e Araxá, além de municípios como Andradas, Carmo do Cajuru e Entre Rios de Minas.

A Performance Cultural e Seus Desafios

A discussão sobre investigações em torno desse alto investimento destaca a importância da cultura, mas também levanta perguntas sobre prioridades e gestão dos recursos públicos. O crescimento acentuado dos gastos evidencia um mercado cultural ativo, mas que requer regulamentos para garantir transparência e responsabilidade. A consideração dessas mudanças nas práticas de contratação de eventos artísticos poderá moldar a forma como a cultura é promovida e sustentada em Minas Gerais no futuro.

Conclusão

A trajetória de Barbacena e outras cidades investindo em shows artísticos é um reflexo das prioridades culturais no estado. Com o aumento contínuo dos valores e a crescente demanda por regulamentação, o cenário cultural enfrenta desafios que precisam ser abordados para equilibrar gastos e retorno social, garantindo que a arte continue a reverberar positivamente na comunidade.



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