A base do debate sobre o mito militar
A discussão sobre a presença da disciplina militar na educação no Brasil ganhou notoriedade recentemente, especialmente com a implementação do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares durante o governo de Jair Bolsonaro. Tal programa foi posteriormente encerrado por Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, mas seu legado ainda ressoa nas políticas educacionais atuais.
Nos últimos anos, o desempenho nas provas de avaliação, como o Enem, de escolas ligadas às Forças Armadas e Polícias Militares tem sido frequentemente utilizado como um argumento para defender o modelo cívico-militar. Entretanto, esta justificativa é considerada superficial, pois ignora diversos fatores que contribuem para a aprendizagem dos alunos.
Escolas militares e seus resultados no Enem
De acordo com uma pesquisa da Folha, das 30 escolas públicas que obtiveram melhores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025, 12 eram vinculadas a instituições militares, enquanto 16 eram escolas de aplicação associadas a universidades. As duas restantes eram escolas técnicas. É importante salientar que todas essas instituições possuem um processo seletivo rigoroso para admissão de seus alunos.

Impacto da seleção de alunos na qualidade do ensino
A seleção de estudantes é um dos principais fatores que elevam os índices de qualidade nas instituições de ensino. Escolas que adotam essa prática costumam apresentar melhores resultados acadêmicos. No caso das escolas militares e de aplicação, não se trata apenas da seleção, mas também do financiamento diferenciado que recebem.
Financiamento e infraestrutura nas escolas militares
Um ponto significativo que contribui para o sucesso das escolas militares é o suporte financeiro que recebem. As instituições militares têm recursos oriundos do Ministério da Defesa, além de colaborações entre secretarias de Educação e Segurança Pública no caso das escolas vinculadas às Polícias Militares. Já as escolas de aplicação se beneficiam de verbas das universidades, que atuam como laboratórios pedagógicos.
A comparação entre escolas militares e convencionais
Embora as escolas cívico-militares tenham demonstrado um certo desempenho em avaliações, a comparação com as escolas regulares é desonesta. As primeiras selecionam seus alunos e recebem verbas consideravelmente maiores, enquanto as escolas públicas abertas atendem a todos, sem distinção.
O que dizem os especialistas sobre a disciplina
Expertos na área de educação efetivamente questionam a ideia de que a disciplina militar é a chave para um bom aprendizado. Segundo eles, a melhora nos índices de aprendizado deve-se à alocação adequada e racional dos recursos, além de um suporte pedagógico e educacional sólido, e não apenas à aplicação de rigor disciplinar.
A história das escolas cívico-militares no Brasil
A influência das escolas cívico-militares na educação brasileira é um fenômeno relativamente recente, que começou a ganhar espaço após a proposta de militarização nas escolas públicas. Historicamente, esta abordagem foi criticada, pois muitos consideram que a educação deve se basear em valores democráticos e em uma prática pedagógica inclusiva.
Mudanças na política educacional recente
Nos últimos anos, houve um aumento no número de escolas cívico-militares, saltando de 265 em 2019 para 1.578 em 2026. Esse crescimento levanta preocupações, uma vez que a expansão desse modelo tende a restringir o acesso ao ensino regular, como evidenciado em cidades onde a maioria das escolas estão militarizadas.
Perspectivas para o futuro da educação
Os gestores e educadores precisam entender que a melhoria dos indicadores educacionais não se dá por meio da militarização, mas pela adoção de um modelo educacional que priorize a gestão eficaz dos recursos, com foco na formação de professores e infraestrutura adequada nas escolas.
Reflexões sobre a educação e militarização
A militarização da educação gera controvérsias e exige um debate profundo sobre qual modelo se deseja construir para o futuro do Brasil. É fundamental que as políticas educacionais se pautem pela inclusão, reflexão crítica e respeito aos direitos de todos os alunos.


